segunda-feira, 2 de março de 2009

Uma Análise do Budismo


Através de alguns trechos de "A Doutrina de Buda" faremos alguns comentários sobre o budismo.

1


"O mundo é, realmente, como um sonho e seus tesouros são uma sedutora miragem! Como as aparentes distâncias num quadro, as coisas não têm realidade em si mesmas: são como uma névoa."



O mundo é uma ilusão. Esse é o fundamento do Budismo. Todas as outras conclusões e preceitos budistas partem dessa premissa. Tudo é ilusão, aparência e nada tem existência em si mesmo, tudo é sem substância. É o conceito budista chamado "Sunyata" (não-substancialidade) onde nada tem permanência ou substância, sendo tudo ilusório e onírico.

2



"Segundo a perene e imutável lei deste mundo, tudo é criado, tudo desaparece, motivado por uma série de causas e condições; tudo muna, nada permanece inalterável."

Ou seja o mundo é "Anitya" (impermanência), transitório, mútavel. No entanto o Budismo abre a porta para um elemento de permanência: a mudança. Anitya é inerente ao mundo, podemos dizer que é a natureza do mundo.

3


"Este mundo de erro, não é senão a sombra causada pela mente. É de se notar, contudo, que é desta mesma mente que emerge o mundo da Iluminação."


"A ilusão e a Iluminação originam-se na mente, e tudo é criado pelas funções da mente, assim como variadas coisas aparecem da manga de um mágico."

A causa de toda essa ilusão é a mente. A mente não é apenas consciência do mundo, mas, sua criadora e ao mesmo tempo seu fim. A Iluminação, a consciência da verdadeira natureza do mundo (ilusão) e da própria mente (criadora da ilusão) também é ilusão. Mas, qual a causa da mente?

4


"Sabendo-se que as coisas nem existem e nem são não existentes, lembrando-se da natureza onírica do mundo, deve-se evitar todo orgulho pessoal ou a exaltação dos bons atos, ou ainda, ser apanhado e envolvido por toda e qualquer coisa mais."


Devemos evitar tudo e atingir o "Nirvana" a total instinção que como diz o texto tudo "Nem existe e nem não-existe". Sabendo disso devemos anular essa consciência e entrar no Nirvana. Logo percebemos que o estado natural do mundo é a total indeterminação, mas, o que causa ou a determinação? (ou mais uma vez perguntando: qual a origem da mente).


5


"A Iluminação não possui forma ou natureza definidas, com as quais ela pode se manifestar, por que na própria Iluminação não há nada a ser esclarecido."


Como disse, a Iluminação é a consciência que o mundo é "Anitya" e "Sunyata". O Budismo sempre nos leva a total anulação de tudo, por isso, há reencarnação. A morte seria apenas não-vida, ou seja, ainda uma ilusão. Como tudo é "Anitya" a morte também seria transitória e estaríamos fadados a reencarnar. É a "Samsara", o ciclo dos renascimentos. Com a Iluminação, que não é o Nirvana, pois ainda há consciência, sairíamos da Samsara.



6



"A Iluminação existe unicamente porque existem a ilusão e a ignorância; se elas desaparecerem, a Iluminação também desaparecerá."

Após a Iluminação ainda há um outro estágio a ser alcançado: o Nirvana. A Iluminação esta ligada diretamente a ilusão sendo ela também ilusão. Sabendo que tudo é Sunyata e Anitya devemos abandonar toda determinação e fazer parte da real natureza do Universo, a indeterminação, o Nirvana.


7

"Da mesma maneira, não pode haver distinção entre o bem e o mal, pois, não há nenhum bem ou mal existindo separadamente."

Bem e mal só existem na mente, são ilusão dentro de outra ilusão. Logo, o Nirvana não é bom nem mal, é pura indeterminação. O Nirvana parece ultrapassar o conceito de bom ou mal, o dualismo maniqueísta.

8


"Pode-se conseguir fogo, enfocando-se os raios solares sobre uma moxa, através de uma lente. Mas se a moxa não tiver a natureza combustível, certamente não haverá fogo."


Com essa metáfora "A Doutrina de Buda" demonstra por que o homem pode chegar a Iluminação, por que nele há a natureza de Buda. Usarei a mesma metáfora para esclarecer alguns pontos.


Se o mundo apresenta mutação, transitoriedade e impermanência é porque estas características fazem parte do mundo. Assim sendo, o mundo tem uma substância, uma permanência e uma determinação. Anitya e Sunyata são conceitos infundados.


O mundo só existe porque existe mente, mas porque existe mente? Se a natureza do mundo fosse pura indeterminação, Nirvana, como surgiria a mente. O budismo parece admitir que tudo que existe tem uma natureza. A mente é determinada, tem substância.


Para que existam os elementos de determinação devem existir os elementos de indeterminação. Permanência e impermanência. E não é apenas um dualismo, mas, uma dialética onde realizasse a síntese que dá o caráter de mutação ao mundo.


O Budismo prega a indeterminação, a total anulação, a negação, o vazio. É uma doutrina pessismista, niilista e que impossibilita uma compreensão do mundo e a plena realização da natureza humana. Natureza que tenta a todo custo apagar com o seu Nirvana.

3 comentários:

  1. Apesar do Budismo, transmitir todas e mais coisas que o amigo registrou convenientemente, devemos lembrar que toda crença ou ideologia seja esta, religiosa ou política, cientifica ou filosófica, encerra nela o veneno do medo, da dúvida e da ignorância. Esta ignorância transcende os sentidos humanos do pensamento e se esconde imutavelmente nos alicerces do desconhecido e da morte. “Tudo o que existe sempre existiu e existirão em outra forma, espaço e lugar, em outras formas complexas em um ir e vir da matéria que fluí constantemente no cosmos e tudo quanto o homem sonhou e pensou ou fez se repetira infinitamente uma e outra vez por todo o Universo”Até mais.

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Encerras neste pensamento a ideia da circularidade do tempo. É justamente esse tipo de ideia que causa uma serie de equívocos. Assim o mundo é um todo sem sentido uma mera repetição de possibilidades, no entanto o mundo tem uma ordem e um sentido. O homem sendo o ser transcendente que é, pode transcender e alcançar o conhecimento verdadeiro.

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